Buscapé

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Thursday, May 31, 2007

O que é bonito é para se ler e reler


Teenage Wildlife - Cecily Brown
Amor é um fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói, e não se sente;
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
é um andar solitário entre a gente;
é nunca contentar-se de contente;
é um cuidar que ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade;
é servir a quem vence, o vencedor;
é ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor
nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor?

Luis de Camões

Thursday, May 24, 2007

Dois elevadores


Waiting Room - Philip Hershberger
Estava a esperar um elevador, quando um sujeito foi e apertou o botão de chamada do outro elevador.

Falou meia dúzia de abobrinhas sobre a situação econômica.
Queixava-se da desorganização do país, da falta de educação do brasileiro e eu só assentia com a cabeça.

Aliás, realmente tudo que ele falava fazia o maior sentido. A má distribuição de renda. A educação já nas últimas, motivos de pilhéria. A saúde deixando a desejar - a morte de todos, os políticos etc.

Começou a entrar então em outras searas, discorreu sobre a falta de solidariedade, da educação, dos exemplos que os pais deveriam dar aos filhos. Nesse momento comecei a me incomodar.

Fiquei pensando cá comigo, tem gente que exige tanto dos outros e nada vê em si. Macaco olha teu rabo.

Afinal se estávamos naquela “conversa de monólogo” é porque decerto um egoísta, não tinha pensado nos outros e havia feito o mesmo que o reclamão ao meu lado. Relembro: ele chamou o segundo elevador, mesmo sabendo que eu aguardava um e, portanto, acionara-o. Aliás, informação fundamental, o sujeito em questão era um magnata que morava na cobertura.

Finalmente, depois de algum tempo olhando para o mostrador dos elevadores – ambos agora na cobertura – e já bastante chateado com a minha indolência ou aparente indiferença - realmente eu estava sem paciência mesmo e dizia quando muito monossilábicos “é” ou acudia com a cabeça – o ricaço disparou:

- E o senhor não vai dizer nada? Não acha que estou certo?
Insistiu tanto que,... Sorri e respondi:
- Por que o senhor chama dois elevadores ao mesmo tempo?
Um momento, uma pausa de reflexão se fez. O elevador chegou, saiu uma linda moça de lá, um anjo, era sua filha.

Wednesday, May 23, 2007

Duplo sentido


Starry Night Double Vision - Ron English
The Starry Night - Vincent van Gogh
Era uma janela, uma pequenina janela. Uma janelinha. Ela tudo via. Os que passavam na rua apressados, os namorados no portão, o jardim florido e os carros rápidos e os preguiçosos.

As outras janelas. Acenava para elas. A árvorelonge lhe trazia os passarinhos, os bem-te-vis, os pintassilgos e as rolinhas. Verde, frondosa e cheia de vida.

Olhava para os outros. Os admirava, criava nomes para cada um que passasse: Maria, Manuel, Ricardo, Clementina, Luiza, Carolina, Joaquim, Marcelo.

Não parava de pensar, refletia no chão e no rosto de muitos o Sol da manhã.

Gostava de ficar decorando as roupas. Percebia cada detalhe. “Olha aquele, usou essa blusa azul e vermelha com estrelinhas na semana passada”. Será que a lavou? Pelo visto não, está toda amarrotada. A loirinha Margareth sempre bem arrumada. Ela é muito vaidosa. Gosto dessa menina, muito sorridente.

Quem são aqueles com capacete? Nunca os vi. E aquilo que apontam para cá? Devem ser de fora. São estranhos. Vestem-se com um negócio dependurado no pescoço. Jorge saiu de casa, foi lá falar com eles. Estão assinando um papel.... Depois de dias uma sombra cresceu.

Nota do blogueiro: Nem tudo que parece é. Nem tudo em dobro é melhor. Nossos olhos estão diante da destruição do mundo.

Tuesday, May 22, 2007

Acordei no meio da madrugada

INSOMNIA FATALE - Robert Gligorov
Hoje acordei às duas da manhã. Porque eu não sabia ainda. Só sei que senti um solavanco. Um estremecer dentro de mim. Uma sensação insólita. Não foi nenhum barulho, não houve nenhum terremoto, nem mesmo alguma razão fisiológica. Acordei do nada. Olhei para o teto assustado. Caminhei até a janela. Nada vi. Nada acontecia lá fora. A noite era cheia. Raros carros passavam nas ruas. Pessoas também. Estava fria. Algo ainda me incomodava. Não sabia o quê. Um aperto no coração. Tentei dormir. Não consegui. Liguei a televisão. Desliguei a tevê. O estranhamento não arrefecia. Parei. O mundo parou. De tanto brigar na cama, cansei e finalmente adormeci. Você havia partido naquela noite. Um acidente aconteceu. Seu coração tinha parado e o meu por instantes também parou. Parou de pulsar de amor. Clamou pelos sentimentos. Brigou com o inevitável, não se conformou. Mais que a vida, aquela noite me levou a vontade de viver.

Friday, May 18, 2007

Em desalinho


Tete D'Homme II from the series - Portraits Imaginaire - Pablo Picasso - 1969
Sempre fui estabanado. Onde fosse derrubava tudo. Talvez pelo crescimento acelerado ainda quando jovem e a coordenação motora deficiente. O corpo tinha crescido e a noção de espaço não acompanhara.

Já no colégio de primeiro grau, hoje ensino fundamental, me via às voltas com as minhas pernas compridas demais. Tropeçava tanto que ganhei o singelo apelido de Tropeço numa referência a um personagem da família Adams.

Com as meninas então era um desastre, ficava todo atrapalhado. Juntava-se ao já natural desastrado uma pitada de timidez e completava-se o vexame. Era um tal de esbarrar, derrubar meninas, cair sentado e até se machucar. Depois, levantar e ver todos aos risos e apontando para mim como se fora um total retardado. Aliás, acho que a impressão era mesmo essa. Quem não me conhecia tinha por mim a nítida opinião de estar diante de um imbecil. Só quem estudava comigo, sabia das minhas notas e tinha certeza que era só mais um desajeitado.

Na educação física me escondia ao máximo, mas seria absurdo conseguir, pois era o maior da turma. Além disso, só por causa da altura achavam que deveria um excelente jogador de vôlei, basquete ou goleiro de futebol, estava eu em destaque. Mas, a descoordenação era tanta que sequer a bola acertava.

Os anos foram passando e o drama aumentando, namorar era confuso, beijar sem machucar a menina, impossível, pisar no pé, algo comum. Dançar era risível, se assemelhava mais a um pangaré num concurso de adestramento tentando ser garboso.

A partir de uma época comecei a me incomodar muito com aquilo. Perguntava-me: por que eu era assim? Acompanhar uma aula de ginástica na academia era hilariante até para mim. Enquanto todos estavam indo para um lado, lá estava um único atrapalhado no sentido contrário. Alguns mais previdentes e velhos conhecidos já se afastavam sabendo do encontrão inevitável. Os risinhos não mais existiam, já éramos adultos, mas os olhares de reprovação talvez fossem ainda piores.

Certo dia, fui convidado para jantar na casa de uma namorada. Tomei todas as precauções, me distanciei do que eu podia derrubar, dos copos à mesa e até dos vãos entre os pés do móvel. Mas, esqueci da empregada. Eis que ela veio com uma jarra de suco a servir. Perguntaram: “quer suco?”. Prevendo o pior, agradeci e recusei. Mas, a mesma voz insistiu: “você precisa provar o suco da Marlene”. Assenti com a cabeça e... virei-me bruscamente, resultado: derrubei tudo. Acachapei a empregada e o que havia por perto. Uma hecatombe completa. Apavorei-me, levantei rapidamente tentando acudir e com os joelhos fiz pior, derrubei todo o jantar. Até mesmo a ex-futura sogra me olhou com ar de reprovação e porque não dizer de insatisfação. Puxou a filha de lado e lhe cochichou algo, como que dizendo: “você namora esse idiota?”. Resultado: nunca mais vi a namoradinha.

Os traumas só fizeram crescer e até uma coisa até então despercebida me ficou mais clara. Afora acanhotado era também incrivelmente desalinhado. Mesmo de terno ficava mulambo. Por mais que as roupas estivessem bem passadas e ajustadas era maltrapilho. As vestes não caíam bem. Até para alfaiate particular apelei, nada resolvia e ainda fui obrigado a ouvir dele o seguinte: “jamais vi coisa igual, você tem altura, não é gordo nem magro, mas é sempre mal-ajambrado, parece sempre um pelintra”. Nem sabia o que queria dizer aquilo, mas boa coisa não era. Naquele dia chorei como criança, que nem como criança havia chorado.

Friday, May 11, 2007

Lá no Cícero

Woman on a Terrace - 1907 - Matisse
As aulas são diversões, um acontecimento preliminar ao recreio – a maior das alegrias – o encontro com os colegas, com as garotas.
De soslaio, acanhadas elas vêm e vão. São mais espertas.
Tudo é diversão, preocupação só com provas e mesmo assim nem tanto. Como é maravilhosa essa convivência.
As meninas ainda são garotas. A saia pregueada dá o “charme”, os rostos cheios de sorrisos e olhares acanhados completam a primeira impressão. Crianças, gurias, futuras mulheres.
Ingenuidade, cabelos soltos pululam ao som da Atlântica. Em algumas é possível ver o mar, calmo, zen, mas às vezes bravio. Todos os meninos querem saber o que se passava dentro daquelas cabecinhas que nada falam. Cochicham por entre os corredores, risinhos. Romances só com os mais velhos, conosco, amizades. Como isso nos chateia! Desejamo-las para nós. Mas a malícia ainda está longe, somos só meninos.
Elas olham para os homens. Maldita natureza que nos dá o desejo e a convivência e não nos dá as armas.
Lindas, pensam em romance, em beijos, em carinhos e no cavalheiro que as vêm buscar. Suas curvas ainda se torneiam por um corpo virginal. As brincadeiras são infantis, maldades não encontram eco. A timidez, presente nos guris, não os deixa ir adiante. Quanto tempo perdido!
A aula de educação física é o melhor dos momentos, é a hora que as veremos de shortinhos. Pernas lindas, cheias de penugens que as podemos desejar sem culpa.
Os idos de 1980 se foram, mas as lembranças teimam em nos trazer as satisfações pueris de outrora. Caros colegas como foi maravilhoso tê-los nesses anos de intensa felicidade clandestina.

Publicado no site Comunique-se em: 07.05.2007

Sunday, May 06, 2007

Cortando palavras


Anton Olea - 1996
Amor é essencial
Envolva-a
Guie-me
Reúne-se alma e desejo, membro e vulva
Só alma?
Ela se expande
Um grito de orgasmo
Corpos entrelaçados
Fundidos
São dois em um
Integração no cosmo?
Chega-se aos astros?
Etérea, eterna?
No clitóris tudo se transforma
Onde se concentraram
A penetração rompe as nuvens
Varado de luz, o coito segue
Se espraia
Além da própria vida
Carne
Gozar
Gozando
Sons, arquejos, ais
Um espasmo
Morremos um no outro
Pausa nos sentidos
Estátuas vestidas de suor
Agradece-se
É o amor terrestre

Baseado na poesia: “Amor, pois que é palavra essencial” de “Carlos Drummond de Andrade”

Wednesday, May 02, 2007

Romantismo numa hora dessas I – “Objetivo Final”

The Wanderer above the Sea of Fog - Caspar David Friedrich - 1818
Estou no meu carro e piso fundo. Fugindo não sei de quê. Olho para frente, a estrada vazia. Deve ser a sensação de liberdade. Mas, sinto que não é bem isso. É uma fuga sim. Escapando do destino, do presente, da angústia.

Falta amor. Essa é a busca incessante do ser humano. Dos filhos, dos pais, dos amigos e da sua companhia. A necessidade essencial de qualquer um.

Buscamos-nos no trabalho. No futebol. Nos bares, nos teatros, nas ruas. Mas, só isso nos completa verdadeiramente. Do quê adianta aquela promoção, o dinheiro a mais, o novo carro, a vitória do seu time se você não tem com quem compartilhar?

O afago, os carinhos dados e recebidos são o que há de mais precioso e que realmente nos tocam. O que mais nos faz sentir uma alegria indecifrável dentro do coração? Perceber o mundo melhor? Em alguns casos nos dar tremedeiras, suores estranhos, palpitações. O que mais?

Sentimentos escassos, fugidios, raros e que nunca nos habituamos por serem assim... tão incomuns. São incontroláveis e impulsivos. Querer bem. Que ação é essa?

Qual o verbo que mais perseguimos com o pé no acelerador, seja você um grande empresário ou um catador de lixo? O amar não faz distinção. Cada um a sua maneira. Modos diferentes, mas não seriam as sensações iguais?

Paremos – nesse mundo conturbado - para pensar. O que mais faz sentido? Afinal vivemos para quê? Qual o objetivo final de cada um?

Amar e ser amado.

Friday, April 27, 2007

Odeio Correr! - II


Iluminura da Crónica de Inglaterra, de Jean Warrin, representando a batalha de Aljubarrota
Hoje corri cada quilômetro para 5 minutos e 40 segundos.

E daí? Pode não ser nada demais para muita gente. Mas para mim foi uma grande vitória e quero deixar aqui registrada.

Aos mais céticos, confirmo, reafirmo e ratifico, odeio correr. Por isso é que valorizo tanto cada passo em frente. Ontem não corri, estava com algumas dores musculares e precisava de um descanso e um pouco de relax para não me cobrar tanto. O resultado foi espantoso, hoje para acordar foi o “parto da montanha”. Xô preguiça!

Já se tornou um vício – assim espero – e se paro já sei que a chance de ser em definitivo é maior, pois a morrinha ataca. Morrinha, sem chance! Interromper esse ritmo nem pensar.

Beijos.

Monday, April 23, 2007

Odeio Correr!

La Sainte-Victoire, environs de Gardanne - Paul Cézanne
Nos tempos de colégio era bem magro. Iniciei no primeiro ano com 73 kg em 1,76m e saí – já no último - com 76 kg em 1,80m. Mas, a vida não é feita somente de 2º. grau. Depois dos 30 senti que o organismo já não era mais o mesmo e que meu metabolismo tinha se alterado, era bem mais fraco. Não podia mais comer de tudo. Parar de fazer exercícios nem pensar. Pois bem, cheguei aos 84 kg e com uma barriga que nunca tinha tido. Acordei a tempo e entrei num ritmo frenético, pois bem, baixei para 82 kg e com uma taxa de gordura de somente 7%. Foi uma luta dura, mas me senti orgulhoso com o resultado. Conseguia correr e fazer muito bem todos os exercícios.
Mas, em um dado momento não sei o que me deu, parei com tudo. Cheguei aos incríveis - para mim - 90 kg! Nunca antes havia imaginado isso, ainda mais sendo tão fininho em infância. Pois bem, hoje tenho 39 anos e tudo parece ainda mais difícil. Antes conseguia correr 20 km num sopro. Atualmente, aliás, a cerca de 50 dias atrás me assustei, pois não consegui nem 2 km. Parecia o fim, me senti um velho e incapaz.
No entanto, não desisti, fui em frente e hoje estou lutando com meus 6 km por dia e meus 81 kg. E pensar que até alguns anos atrás eu conseguia correr cada quilômetro em menos de 4 minutos e na época atual - já bem melhor que quando recomecei - corro para os 6 minutos. Agora entendo porque muitas vezes via o pessoal sofrendo no teste de verificação física. Juro que antes não conseguia compreender como alguém não terminava ou corria bem devagar os 2800m.
Voltando, nesse meio tempo entre os 82 kg e os 90 kg, perdi muita massa muscular, por isso ainda aparece uma barriguinha – bem pequena mesmo - mas nada demais se comparada aos quase 2 meses atrás. É claro que corro pela estética, mas o principal mesmo é a saúde.
Tenho como meta correr melhor, ficar menos exausto depois dos 6 km e recuperar um pouco do amor-próprio.
Se você é dos que vive esse tormento, junte-se aos bons!
Todo dia é uma luta e saiba que você não é único que briga com ela, a balança!
Hoje corri 7 km! Amanhã tem mais.

Abraços.

Saturday, April 21, 2007

Passeio Cultural pelo Rio de Janeiro - I


Roteiro de Museus e Centros Culturais – um passeio pelo Centro do Rio de Janeiro

Primeiro, recomendo que se comece pelo MAM, onde sempre estão expostas obras dos mais substanciados artistas contemporâneos: brasileiros ou estrangeiros.

MAM - Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro
Av. Infante Dom Henrique, 85 - Parque Brigadeiro Eduardo Gomes
Tel.: (021) 2210-2188
http://www.mamrio.com.br/


Depois, com uma caminhada de mais ou menos uns 1,5 km pode-se encontrar o Museu Histórico Nacional que fica a caminho da Praça XV e praticamente em frente ao III Comar, ou para quem preferir entre o elevado da Perimetral e o antigo prédio da LBA.
Acervo fixo com importantes obras sobre o Brasil desde os tempos mais remotos.

Museu Histórico Nacional
Praça Marechal Âncora, s/n - Centro.
Tel.: (021) 2240-9529
http://www.museuhistoriconacional.com.br/


Depois um pulinho no Museu da Imagem e do Som - que fica do ladinho - para animar os ouvidos também:

Museu da Imagem e do Som
Praça Rui Barbosa, 1 - Centro
Tel.: (021) 2262-0309
http://www.mis.rj.gov.br/

Para quem gosta de batalhas, relembrar um pouco de nossas mais vitórias no mar, recomendo visitar:

Museu Naval e Oceanográfico
Rua Dom Manuel, 15 - Centro
Tel.: (021) 2221-7626

Uma curiosidade é que foi recém reinaugurado (2006). Muito próximo ao anterior, cerca de 300 metros.

Já se deseja, um pouco de história sobre o nosso Brasil Imperial e algumas coisinhas contemporâneas pode ver no:

Paço Imperial
Praça XV de Novembro, 48, Centro
Tel. (21) 2533 4491 /2533 7762 fax: 2533 4359
http://www.pacoimperial.com.br/enterhtm/paco/conh.html

Já para quem sabe um pouco de história, vale contemplar o chafariz da Praça XV de novembro, vale uns 15 minutos de bons conhecimentos. Aliás, o local está rodeado de estátuas e referências de acontecimentos do nosso país (estátua de Tiradentes, Rua Direita – 1º. de Março, Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro). Um desbunde de cultura.
Biblioteca da Alerj

Uma caminhada pelo Arco do Teles – antigo Senado da Câmara, datado de 1790, revigora ainda mais o passado e introduz de forma suave as pessoas num ambiente de outrora.
Antigo Senado

No caminho encontramos o Centro Cultural dos Correios. Engana-se quem acha que irá só encontrar selos e cartas – o que por si só já seria magnânimo – mas sempre existem outras boas exposições.


Centro Cultural dos Correios
Rua Visconde de Itaboraí, 20, Centro.
Fone: 2503-8770
Centro Cultural dos Correios

Uma esticada na mesma rua e se encontra a Casa França-Brasil, só o visual já é um grande apelo para entrar.

Casa França Brasil, Centro de Cultura
Rua. Visconde de Itaboraí, 78, Centro.
Telefone: (021) 2253-5366
http://www.fcfb.rj.gov.br/default.asp

Atravessando a rua – de pedestres, mas com cuidado – temos o CCBB, que pelo tamanho consegue abrigar muita cultura e diversificação num só lugar. Olhar a abóbada é sempre um prazer.

CCBB - Centro Cultural Banco do Brasil
Rua Primeiro de Março, 66 - Centro Rio de Janeiro RJ - CEP 20010-000
Funcionamento: De terça-feira a domingo das 10h às 21h.
Informações pelo telefone (21) 3808-2020
E-mail: ccbbrio@bb.com.br
http://www.bb.com.br/appbb/portal/bb/ctr2/rj/index.jsp

Monday, April 16, 2007

O Que Será (À flor da Terra)

== incrível, como permanece, como é atual ===
== as partes em itálico então nem se fala ==
== para ouvir e acompanhar na rádio ==

Ouça na rádio

Chico Buarque
Composição: Chico Buarque & Milton Nascimento

1
O que será, que será?
Que andam suspirando pelas alcovas?
Que andam sussurrando em versos e trovas?
Que andam combinando no bréu das tocas?
Que anda nas cabeças, anda nas bocas?
Que andam acendendo velas nos becos?
Que estão falando alto pelos botecos?
E gritam nos mercados que com certeza
Está na natureza.
Será, que será.
O que não certeza, nem nunca terá?
O que não tem conserto, nem nunca terá?
O que não tem tamanho?

2
O que será, que será?
Que vive nas idéias desses amantes?
Que cantam os poetas mais delirantes?
Que juram os profetas embriagados?
Que está na romaria dos mutilados?
Que está na fantasia dos infelizes?
Que está no dia a dia das meretrizes?
No plano dos bandidos, dos desvalidos?
Em todos os sentidos.
Será, que será.
O que não tem decência, nem nunca terá?
O que não tem censura, nem nunca terá?
O que não faz sentido?

3
O que será, que será?
Que todos os avisos não vão evitar?
Por que todos os risos vão desafiar?
Por que todos os sinos irão repicar?
Por que todos os hinos irão consagrar?
E todos os meninos vão desembestar?
E todos os destinos irão se encontrar?
E mesmo o Padre Eterno,
Que nunca foi lá,
Olhando aquele inferno
Vai abençoar

O que não tem governo, nem nunca terá?
O que nao tem vergonha, nem nunca terá?
O que não tem juízo?


La la la la la……..

Repete 3

Wednesday, April 11, 2007

Ó Paí, Ó


Fui meio despretensioso assistir a esse filme, mas acho que até pela atitude "pré-nada" fui surpreendido por uma película leve, divertida e com alguns insights.
O começo é um pouco chatinho e parece até tentar enlevar a figura de Lázaro Ramos. Mas, depois acho que se descarregam desta atitude e os enlaces entre os personagens se dão de maneira sutil e com um tempero de juízo de valor.
É claro que o filme não é, ou não parece, ser nenhuma discussão sociológica, mas ao final - e em algumas cenas - é impossível dissociar as idéias de hipocrisia e da natureza do comportamento humano.
Outra coisa boa é que a cultura baiana é colocada sem máscaras e sem preconceitos.
Vale a pena ver.

Saturday, April 07, 2007

Gatos




Muitas peripécias desses felinos, vale a pena ver até o final!

Gertrudes

Eu entrei no banheiro e lá estava ela. Num canto, encostada na parede. Confesso que me assustei. O armário estava entreaberto, então fiquei pensando na possibilidade de a criatura ter mexido em algo. Elucubrei sobre a pasta de dente, a escova de dente – que nojo, o pincel para barba – sou das antigas e alérgico às espumas - e também sobre o pente. Mas, aparentemente nada havia sido mexido ou tocado.

Fiquei olhando-a, o mesmo ela fazia, ressabiada, será que ele vai fazer algo?

Ficamos nos fitando por alguns instantes. Aquele ser permanecia praticamente imóvel.

É claro que já havia visto uma, mas cheguei mais perto e constatei – ou recordei: em cada uma das patas existiam igualmente cinco “dedos”.

Gertrudes era cinza-castanho – quase branca, pequena e muito desconfiada. É claro que não me sentia à vontade com ela ali, mas também não achei direito tentar qualquer coisa contra ela, até porque seria uma batalha pegá-la e colocá-la para fora. Matar nem pensar. No fim das contas, fiz o que tinha que fazer no banheiro e saí. Mais tarde, a procurei, acho que senti sua falta. Abaixo a foto dela, quem a vir, por favor, me avise. Beijos.

Thursday, April 05, 2007

A Deus

Será que somos tão fortes?
Sejamos caídos pelos consortes
Imaginamos, sentimos a morte
Mesmo construído um contraforte

Pensar que algo tão pequeno
Num adeus, num aceno
Pior, fora percebido leviano
Olhava a todo momento, varsoviano

Via, mas, buscava algo de bom
Mesmo na dança de acordeom
Percebia o olhar perdido

Em soslaios noutro alguém
Era só o primeiro aturdido
Nele mesmo estava o docém

Wednesday, April 04, 2007

Positivos e Negativos



Amor, Caráter, Respeito, Paz, Comprometimento, Carinho, Lealdade, Sinceridade




Egoísmo, Leviandade, Apego ao dinheiro, Falta de Compromisso, Desrespeito, Falta de amor ao próximo, Inconsciência, Falsidade

Monday, April 02, 2007

Valores

Confesso que não simpatizei - desde que assumiu o papado - com Joseph Raztinger, o Papa Bento XVI, mas dessa vez, concordo com ele.

Ele disse que o principal valor dos homens deve ser o AMOR, que deve estar acima do dinheiro, status e do sucesso profissional.

Tuesday, March 13, 2007

Um ranzinza em Mauá


Bridal Veil Falls, Yosemite - William Zorach - 1920
Certa vez, um colega foi convencido a ir à Visconde de Mauá pela namorada. E logo foi alertado: “Cuidado, entre o Rio de Janeiro e Mauá há uma estrada muito ruim”. Mas, acho que não fui enfático o bastante e lá foi ele. Encaminhou-se bem devagar com seu carro novinho, com menos de 300 quilômetros rodados, em pleno fim de ano, especificamente, em 31 de dezembro de 2001.
Pois bem, ele voltou, conseguiu voltar! Isto já foi um bom sinal. Então me contou sua aventura e que aventura! Primeiramente pegou uma estrada engarrafada, a Via Dutra, cheia de automóveis, em função da data. Mas depois tudo bem, isto até chegar a RJ-163, que fica depois da entrada de Resende, a Estrada Via Dutra-Mauá que tem apenas 16 mil metros com um enorme pesadelo de buracos em terra batida. O pior de tudo é que tentaram reformar esta saramenha – não adianta procurar esta palavra no seu dicionário, guarde só a sonoridade que é o que vale – dizia ele. Acho que foi esta reforma que determinou a primeira aplicação de uma das leis de Murphy, nada é tão ruim que não possa ser piorado.
No que ele me disse que a via tinha sido reformada, exclamei uma sonora frase: “Ah... então foi uma viagem tranqüila!”. “Não, ao contrário, foi bem pior, com as fortes chuvas, o recapeamento se esfacelou e a estrada ficou horrorosa, com asfalto e pedrinhas soltas”, falou em tom chateado. Buracos mil e uma visão dos infernos, isto quando se via alguma coisa, pois a chuva parecia que vinha em baldes. A cada buraco, reclamava: “Que m@#%&!”. Sentia cada remexida ou patinada no seu carro como se fosse no corpo, pareciam pontadas no coração, o carro novinho tomando esbarrões, afundando num misto daquela mistura exótica de lama e excrementos de petróleo. Um solavanco, uma facada na sua barriga, assim se sentiu durante o escasso percurso... até o fim. Um pesadelo que durou pouco mais de trinta minutos, mas que pareceu uns três anos, provavelmente este foi o efeito do envelhecimento que sofreu frente ao imponderável filme de terror.
“Mas e aí? E as cachoeiras de Maromba etc.?”, perguntei. “Que cachoeira é o caramba! Nada de Alcantilado, Cachoeirinha, Poço da Areia, Poço da Raiz, das Muralhas, Maromba, marimba, maramba, marumba é o cacete!” “Que isto? Calma, não precisa ficar bravo!”“Não vi nada, naquela cidade só chove!”, disparou.“E você nem sabe de nada, ainda atolei na chegada”, complementou.“E a festa de Reveillon?”, disse. “Ta querendo me sacanear, né?. Fiquei atolado num outro caminho que levava ao destino final e não pude ir a lugar nenhum”. “Fiquei num casebre – na verdade, era uma casa enorme, muito legal e totalmente rústica – aliás, aí estava o problema. Na hora que cheguei, por volta das 22h30, o local estava escuro. E o fato da casa ser para lá de rural foi um agravante, para se ter uma idéia, a geladeira era a gás!” Lá estava ele no meio do nada, sem iluminação externa, com o carro atolado a uns 200 metros do casarão e chovendo a cântaros. E dentro deste panorama teve que rodear a casa toda, uns 600 metros quadrados, a procurar a instalação de gás, num breu total, dispondo somente de uma lanterna, pisando no chão mole e ensopado. Pronto. Achou, mas, depois só de duas horas, ou seja, sua passagem de ano foi no meio do mato, embaixo de uma chuva torrencial, procurando a caixa de energia, not found e a fonte gás, ok. “As únicas pessoas que encontrei naquela hora, mesmo que só em espírito, porque nem mesmo eles conseguiriam chegar até acolá, foram o Raoni, o Paulinho Paiacan e o Juruna. Não tá ligando os nomes ao evento? Um autêntico programa de índio!” Eis que o meu colega passou o resto da noite resmungando, como só ele consegue. Tenho pena dos ouvidos da sua namorada. Nem quero imaginar as broncas dadas na sua garota – já que ela é que planejara a viagem. Eu o conhecia muito bem pelo seu tom sempre aborrecido.
No entanto, a aventura ainda não havia terminado, finda a noite que parecia sem fim, veio o dia seguinte, o primeiro de um ano que prometia. Primeira tarefa, desencalhar o carro, já que a chuva não parava, era deste modo que ele imaginava como o veículo se encontraria, parado em alguma beira de riacho ou à deriva. Mas não, o seu Corsa continuava lá, praticamente isolado no meio da nothingland. Assim, o amigo se sentia ao olhar a sua volta. As paisagens eram iguais para o que quer que olhasse, nada, nada e nada. A autêntica terra do nada. Depois de muito caçar madeiras, galhos etc. conseguiu finalmente desatolar o carro.
“Ótimo, agora vamos ao churrasco na casa de fulaninho”, pensou. Meia hora depois estava do outro lado de Mauá com alguns amigos da Sra. patroa. Conversa vai, conversa vem, ele nota que algo está errado. Existe um clima de animosidade entre dois dos amigos de sua namorada. A carne começa a sair e o ambiente é outro.
Ali bem próximo estavam pousadas muito charmosas e românticas, lugares que tencionava levar sua garota para que o ambiente entre eles melhorasse. Entretanto o aguaceiro não dava trégua, como estavam ao ar livre, foi montada uma tenda, mas uma tragédia aconteceu e a tendilha desabou em cima da churrasqueira. Um corre-corre danado e o stress de antes reapareceu, pronto é o que faltava para os dois coleguinhas começarem a brigar entre si. Apartada a briga, alguns sopapos depois, não havia mais clima. O casalzinho amigo decidiu-se por ir embora e de barriga vazia. Sabe-se que a cidade tem um dos melhores circuitos gastronômicos do estado. E ele que tanto havia insistido por ir a um restaurante e tinha sido demovido por causa da insistência da sua cortejada! Mas, depois do desastre da carne, era o que ele precisava, então desandou a falar um monte de barbaridades para ela, que sicrano é assim, fulano é assado. Coitada dela, seu ouvido estava tão cansado que ela propôs a volta para o Rio de Janeiro. Todavia, decidiram passar pelas pousadas para saber onde poderiam ir numa próxima vez, mas o ambiente estava tão ruim entre os dois, que só fez criar mais discussões. Ele metralhava a namorada “olhe só a Verde Que Te Quero Ver-te, a Quinta da Grama, a Fronteira Arte e Lazer etc.” se referindo às pousadas maravilhosas que poderiam ter desfrutado. Cheia de tanto ouvir baboseiras e reclamações, insistiu para ir embora logo. Parecia um presságio.
No meio da estrada, já de volta ao Rio, em meio ao pé-d’água que caía, a namorada começou a passar mal e precisou, a todo custo, fazer o número “2”. Justo ali, no meio da estrada. E o depois, como fica? Como fazer? Com uma ajudinha dos guardanapos “Clean Next”, fez-se e concluiu-se, após uma encostada estratégica num cantinho da via. Surpresa maior é que, sabe aquilo que falei do meu colega lá no início? Pois é, é tudo mentira. O amigo, na verdade, era eu mesmo. No entanto, os eventos da viagem foram verdadeiros, uma das poucas jornadas que fiz em que tudo, tudo deu errado. Visitem Mauá, pois é inesquecível.

Publicado no Comunique-se em: 27/09/2006
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Monday, March 05, 2007

Olhos Verdes


Sensual - Royo
Foi em meio a um mundo de fantasia que pela primeira aqueles olhos fitaram-no. Passaram-se alguns dias de intensa conquista e galanteios. Agora sentado a sua frente olhava para seus olhos verdes. Suas íris irradiavam uma alegria, uma felicidade, mesmo que pueril e fugaz. Logo abaixo seu sorriso confirmava a impressão. Fartos eram seus seios que nos “apertos” pareciam querer saltar de dentro da pequena camisetinha vermelha. Ela combinava com o interior de seu peito que palpitava.
O que fazia aquela menina-mulher se enganando numa mesa de bar? Seu sorriso era desejoso de algo mais. Mostrava por vezes um olhar de menina e outro sacana, de mulher, provocativo. Cada gesto pintava um novo cenário, instigava um ao outro, um convite ao prazer.
Suas coxas roliças apertadas numa calça cáqui queriam formar um coração junto a cintura. Elas não mostravam nada, mas estavam prontas. Seus poros eriçados a cada aproximação mais selvagem sempre se soerguiam nos seguidos beijos e mordiscadas em seus lábios, orelhas e língua.
Em algumas roçadas de corpos seus olhos se fechavam e entreabriam como se transportando a um mundo de prazeres. Os dedos viajavam pelos corpos sentindo as peles. O desejo estava à mostra e persistia por horas, a libido em alta, mas a consciência e a cultura jogavam proibindo passos mais ousados. Fases mais atrevidas eram decapitadas.
Um turbilhão de sentimentos e impulsos elétricos é no que havia se transformado aquele encontro dos corpos. Os olhares se buscavam, o que diziam aqueles pequeninos olhos verdes? Neles se viam, lá estavam os próprios reflexos. Por vezes se divertiam nesse jogo de se descobrir e um sorriso estava embutido a cada contemplar. Como pode também um olhar sorrir?
O que corpo e o coração buscam? Cada momento é único. Do que vale a vida sem emoções e trocas?
Cada respiro, suspiro e um beijo inflamado e se aqueciam e... suavam. Sensações múltiplas se concentram numa única cena. Braços se entrelaçam, corpos se tocam e buscam afagos, carinhos e apertos. Tórax se unem, bocas se enroscam, se tocam, se mordem, se exploram. Todo o corpo está voltado para aquele momento. Até os olhos se fecham, é capaz de jurar-se que até se ouve menos ao redor.
São duas criaturas num transe. O corpo se prepara para algo mais, hormônios em ebulição, tudo se movimenta dentro do organismo, medos são perdidos para que num instante a vida tome conta. Um enlace entre o mundo e aquele minuto. Para onde vão aquelas sensações? É custoso acreditar que aquelas vibrações se espalham pelo espaço e se perdem. Condensarão em forma de chuva? Contaminarão outros seres com o desejo e o amor? Se irradiarão por entre as pessoas?
Os cheiros transitavam entre os dois, as bocas suspiravam, as peles se sentiam, os toques pronunciavam os desejos, as mãos firmes puxavam os corpos em colisões suaves. Roçavam-se desejosos de estarem nus. As palavras pronunciadas, sussurradas completavam a cena.
Os momentos extasiados se fixaram naqueles olhos verdes. E permaneceram para sempre em cada memória.