Buscapé

Saiba onde tem o melhor preço antes de comprar

Tuesday, September 18, 2007

Reverências

O vento se curva para você passar
O Sol brilha concorrendo com seus sorrisos
O mar banha o litoral tornando-o puro como tu és
Os pássaros cantam inspirados em sua voz
As árvores respiram seu odor
Os bichos procuram abrigo em seus braços
As crianças buscam em ti a ingenuidade
As brisas vêm te refrescar
E o suor a ti contemplar

Os maus pensamentos sucumbem diante de sua bondade

Se queres um mundo perfeito, já o tens
Tens o envolto em você
Muitos se aproximam da sua estrela
mas só conseguem permanecer à sua volta
quem de fato pode te dar amor e carinho
verdadeiros

Para alguns pode parecer piegas ou exagero essas
linhas mal escritas mas eles não sabem o tamanho
do carinho, amor e desejo que tenho por ti, por isso
pouco me importo

Está aqui um pequeno rascunho - de poucos minutos - a dialogar com
o computador e pensando em ti, meu amor.

Thursday, September 13, 2007

Ferótica

Faz de mim gato, gata
Afaga e morde, e arranha
Vem aqui se arreganha
Lambe e alisa beata

Abocanha e delicia
Depois me pede: enfia
Mexe e remexe muda
Tira essa bermuda

Te meto e ponteio
Sangue doce ferve
E te despenteio

És minha verve
Abraço e aperto
Nua, a descoberto

Tuesday, September 11, 2007

Elucubrações na Madrugada

Penumbras penetrantes vão pelo quarto adentro
Fingem-se sombras de corpos nus
O estandarte próximo à parede ilumina os arredores
Lá para o alto é possível ver as imagens
Inseridas em momentos êxtase
Estáticas descansam em poças
Vidros e plásticos nas estantes
Cortinas e fumaça na janela
A porta aberta
Pela greta passa um facho de luz
Olhares espremidos
Desejos soltos
Roupas pelo chão
Sapatos ao canto
Farpas de emoção
Cochicham como numa reunião
Sozinhos a se olhar
Alisam as pernas e braços
Avistam para ter certeza
Se entrelaçam, coxas realçadas
Bumbuns arrebitados
De repente puxam um lençol
O frio vem congelante para as costas molhadas
Abraçam-se, sorriem
Um instante de amor

Tuesday, August 28, 2007

Desenhos da natureza

Samambaias esmaecidas na parede
Torso da mulher amada nua
Fagulham na minha carne crua

Penugens nas sombras do corpo
Reflexos da paisagem da janela
O sol morrendo no horizonte

Pedras pelas calçadas desfavorecidas
Crianças alegres riscando o chão
Contorno das folhagens densas

Nuvens que vêm e vão
Aproximam-se e afastam-se
Num piscar e retornam a se unir

Luz da lua clareando a noite
Rugas nos rostos sofridos
Brilhos das folhas da palmeira

Fugas das luzes do Sol
Cascas e sulcos das árvores
Caminhos em troncos pela mata

Pedras que anunciam a vista
Folhagens e cactos no rastro
Paredão sólido se anuncia

Suores pelo corpo cansado
Lábios secos, com sede
Maçãs e bananas a alimentar

Sorrisos nos jovens rostos
Certezas dos sentimentos
E uma baía a contemplar

O líder

Rascantes bebidas sobre um manto amarelo.
Dos filisteus, próximo a fidalguia.
Acenava a todos, sereno rosto.
A praça apinhada de gente.
A repetir-lhe o gesto.
Nobre pensar e poliglota.
Murmúrios de paz. Esparsos instantes.
Foi-se o líder.

Friday, August 17, 2007

O amor

Em grandes fachadas, liberadas de ar em mármores lascadas com manchas de cinza antes se impunha o enorme colosso.

Onde agora assoviam os ventos e curvam as pequenas palmeiras. Suscitam o esplendor do caminhar da moça.

O vestido é soerguido num ventilar desavisado. Ela o segura, busca o cabelo no rosto os põe para trás, delineia aos olhos de seu contemplador o pescoço alvo e fino.

Até ali andava despreocupada. Parou para avistar a sacada da construção antiga. Uma casa barroca, e detalhes de curvas e desenhos. O amor lhe invadiu.

Comprometimento

Comprometimento. O que significa exatamente isso?
É estar atento aos seus afazeres. Doar-se, buscar soluções. Vislumbrar o que está por vir. Empenhar-se nas tarefas. Usar de afinco para que tudo saia o melhor possível. Comprometer-se. Pensar, pensar, pensar, trabalhar, trabalhar, trabalhar. Ver além. Se inserir no projeto. Sentir-se envolvido. Dentro do ambiente. Em alguns momentos, “sair” para ter uma visão externa. Enxergar com outros olhos o que se está fazendo. Ajustar. Acompanhar. Estar atento a todos os pormenores. Ir a fundo, ver os detalhes, as entranhas do processo. Mergulhar fundo. Sentir o trabalho como parte de seu corpo, de sua alma. Unir-se, ser um só. Poder estar no meio da confusão, de uma tempestade e mesmo assim ter consciência e serenidade para tomar as melhores decisões. Quando se está verdadeiramente comprometido, a segurança aflora. Os atos já estão definidos só é necessário que alguém os tome para si. Gerenciar o trabalho e a vida.

Saturday, August 11, 2007

Na curva

Grandes fachadas, liberadas de ar, em mármores lascados com manchas de cinza.
Onde assoviam os ventos e curvam as pequenas palmeiras.
Suscitam o esplendor do caminhar da moça.
No seu vestido soerguido num ventilar desavisado.
Ela o segura, busca o cabelo no rosto os põe para trás mostrando o pescoço longo, fino e sensual.
Até ali andava despreocupada.
Parou para avistar a sacada da construção antiga.
A casa branca tem detalhes de curvas e desenhos.
As admira, suaves olhares de carinho e nostalgia.
Lembra agora da tarde em que pararam na janela do Centro e ficavam a admirar o prédio em tons de rosa.
E também a escada suspensa.
Rua escura, local de desejos.
Na curva da vida finalmente encontrou a reta do amor.

B e X

Xagina e Bert Grandão andavam soltos pelo bosque. Era um local branco e com muitos reflexos. Bert estava tenso e endurecido em função da ocasião em que se encontrava. Xagina encharcada, meio que suada pelos mesmos motivos. Cada qual reagia de uma forma diferente, embora em seu íntimo estivessem sentindo a mesma coisa.

Estavam unidos, entrelaçados, envolvidos naquele instante. Sentiam-se intensamente. Eram como um só e apesar do ambiente anterior ser inóspito se sentiam muito bem próximos. Seus odores os atraíam mutuamente. Bert lhe fornecia o calor do seu corpo e Xagina o acolhia e o cobria com a sua manta. E assim ficaram por alguns minutos...

Tuesday, August 07, 2007

Cartas de Amor

Cartas de amor I - Freios

Fê,

meus freios estão enguiçados. Contaminados pelo amor que sinto por você. Pelo desejo eterno. Pelas inúmeras formas de carinho que as tenho pela Fê. O dia em que não enxergar mais o brilho da ternura em meu olhar terás certeza de uma coisa, a minha morte espiritual. Daquela que nunca se recupera.

Meus verdadeiros freios estão contidos nos caminhos que podem te levar a tristeza mesmo que por um segundo. Nesses combato com todas minhas forças, pois se sou feliz agora é porque essa trilha foi me indicada por entidade soberana e sabedora dos meus desejos em trazer harmonia e felicidade entre dois corpos e almas: você e eu.

Beijos e uma inumerável vontade de trazê-la comigo para um mundo feliz e de muito amor, paz e compreensão.

L.


Cartas de Amor II - Mensagens

Fê, minha amada!

És nobre ao compartilhar comigo mensagens tão valorosas e significativas. Daquelas que trazem verdadeiros valores e buscas éticas do ser.

Incutidos em amor verdadeiro, textos tais como esse* são para serem impressos e disponibilizados em cabeceiras para que sempre possam ser consultados quando o rumo por ventura se entortar.

Fê vais vencer por que és linda. Linda como pessoa e de tantos carinhos e sonhos.

"Convence-te de que a vitória espiritual é construção para o dia-a-dia."

Amo-te e sempre estarei contigo para protegê-la. Atento às suas tristezas para que rapidamente sejam convertidas em felicidades e sorrisos.

No fundo de minha humildade, saiba que aqui tens um guerreiro do amor que busca dar aos seus amados, o conforto e o bem-estar espiritual. E que nele se depositam todas as esperanças por uma luta sem fim, mas que a cada batalha culmina no maior dos valores humanos: O AMOR VERDADEIRO.

Beijos, L.


* texto referido:

Não desanimes.
Persiste mais um tanto.
Não cultives pessimismo.
Centraliza-te no bem a fazer.
Esquece as sugestões do medo destrutivo.
Segue adiante, mesmo varando a sombra dos próprios erros.
Avança ainda que seja por entre lágrimas.
Trabalha constantemente.
Edifica sempre.
Não consintas que o gelo do desencanto te entorpeça o coração.
Não te impressiones nas dificuldades.
Convence-te de que a vitória espiritual é construção para o dia-a-dia.
Não desistas da paciência.
Não creias em realizações sem esforço.
Silêncio para a injúria.
Olvido para o mal.
Perdão às ofensas.
Recorda que os agressores são doentes.
Não permitas que os irmãos desequilibrados te destruam o trabalho ou te apaguem a esperança.
Não menosprezes o dever que a consciência te impõe.
Se te enganaste em algum trecho do caminho, reajusta a própria visão e procura o rumo certo.
Não contes vantagens nem fracassos.
Não dramatizes provações ou problemas.
Conserva o hábito da oração para quem se te faz a luz na vida íntima.
Resguarda-te em Deus e persevera no trabalho que Deus te confiou.
Ama sempre, fazendo pelos outros o melhor que possas realizar.
Age auxiliando.
Serve sem apego.
E ASSIM VENCERÁS.

(Psicografado por FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER. Do livro "Astronautas do Além").

Friday, August 03, 2007

Momento Gregório de Mattos

Expressões amorosas a uma dama a quem queria - a Maria dos povos, sua futura esposa.

Discreta e formosíssima Maria,
Enquanto estamos vendo a qualquer hora,
Em tuas faces a rosada Aurora,
Em teus olhos e boca, o Sol e o dia:

Enquanto com gentil descortesia,
O Ar, que fresco Adônis te namora,
Te espalha a rica trança brilhadora
Quando vem passear-te pela fria.

Goza, goza da flor da mocidade,
Que o tempo trata, a toda a ligeireza
E imprime em toda flor sua pisada.

Oh não aguardes que a madura idade
te converta essa flor, essa beleza,
em terra, em cinza, em pó, em sombra, em nada.

Gregório de Mattos




Aos afetos, e lágrimas, derramadas na ausência da dama a quem queria bem.

Ardor em firme coração nascido;
Pranto por belos olhos derramado;
Incêndio em mares de água disfarçado;
Rio de neve em fogo convertido:

Tu, que um peito abrasas escondido;
Tu, que em um rosto corres desatado;
Quando fogo, em cristais aprisionado;
Quando cristal, em chamas derretido.

Se és fogo, como passas brandamente,
Se és neve, como queimas com porfia?
Mas ai, que andou Amor em ti prudente!

Pois para temperar a tirania,
Como quis que aqui fosse a neve ardente,
Permitiu parecesse a chama fria.

Gregório de Mattos

Thursday, August 02, 2007

Soneto de Agosto

Tu me levaste eu fui... Na treva, ousados
Amamos, vagamente surpreendidos
Pelo ardor com que estávamos unidos
Nós que andávamos sempre separados.

Espantei-me, confesso-te, dos brados
Com que enchi teus patéticos ouvidos
E achei rude o calor dos teus gemidos
Eu que sempre os julgara desolados.

Só assim arrancara a linha inútil
Da tua eterna túnica inconsútil...
E para a glória do teu ser mais franco

Quisera que te vissem como eu via
Depois, à luz da lâmpada macia
O púbis negro sobre o corpo branco.

Vinicius de Moraes

Wednesday, August 01, 2007

Encontros

És fonte do meu equilíbrio. Antes de te reencontrar andava trôpego pela noite. O amor não mais existia em meu coração. Tu avivaste a chama do meu ser e do meu tesão, que te confesso estava adormecido. Não desejo outras mulheres, pois sei que é contigo o meu êxtase mais sincero. Não importa quantas irão me assediar, serei sempre seu, assim como tu sempre minha. Sinta em eternidade cada carinho dado quando estou contigo. A distância nos separa, mas, quando juntos somos um só. Fonte de prazer e de alucinações. Transportamos-nos na cama, entramos em sublimação. O céu é testemunha dos nossos suores que invadem o espaço. São encontros mágicos e momentos transcendentais.

O homem que falava com pássaros

Era um homem de poucas palavras, vivia a maior parte do tempo isolado, apesar do bom caráter.

O periquito verdejante lhe trazia as boas notícias, a rolinha faceira as inconfidências e as fofocas, o gavião, imperativo, indica os caminhos. A canarinha branca, o amor e a ternura.

E por fim, o corvo, sinal de mau agoro, foi expulso.

Monday, July 30, 2007

À espera da amada


Christopher Blossom - Waiting for the tide
Como é belo o mar e o céu. Mais bonitas são suas formas e brilhos por entre as calçadas no velho Centro. Seu andar transporta a gentileza com que a natureza te fez em harmonia. E nos leves passos de princesa por onde passa seu perfume causa desvairo. Traz as antigas sensações de doçura e lascívia do teu corpo. Fico a te esperar do outro lado, noutro bairro na vontade de seus beijos e quadris. Para no dia seguinte te abraçar e meter em nosso cantinho. Alisar sua pele e suas sinuosidades. Possuir-te em fogo e suor. E logo em seguida ter te abrigada no meu peito em suspiros. E os olhares nos espelhos se encontrando...

Wednesday, July 25, 2007

Humberto


Dr. Gachet: Man with Pipe (L’Homme a la Pipe) - Vincent van Gogh - 1890
Beto é um homem muito inteligente, perspicaz e romântico. Às vezes ingênuo por acreditar muito nas pessoas. Com o decorrer dos anos se tornou desconfiado ao menor sinal de enganos e mentiras. No entanto, isso é facilmente contornado com uma boa dose de entrega e sinceridade da outra pessoa. Não gosta de joguinhos e prefere pessoas verdadeiras e sensíveis.

Numa noite, numa boate, Beto conheceu Mirna. Mirna era amiga de uma colega de academia. Ele a viu pela primeira vez ladeada por Renata e Elaine. Renata, linda, com um corpo de mexer com qualquer homem foi alvo de seu olhar primo naquela noite, mas ela estava desligada e parecia ter alguém. Elaine também muito bonita já era um pouco mais velha e um charme capaz de chamar a atenção de qualquer um que a olhasse. Mirna tinha um belo sorriso, não tão linda como as demais, mas igualmente interessante.

Concentrou-se em Mirna, a alvejava vendo-a como caçador. Buscou mais informações sobre aquela balzaquiana com Carlota. Estava sozinha, sem namorado, totalmente desimpedida. Beto estava num momento especial, tinha um bom emprego, acabara de um comprar um bom carro e vinha de uma conquista de causar inveja a muito homem. Essa mulher, no entanto era muito garota e ele não se dera muito bem com seus amigos. Sentira-se desconfortável com os papos. Muito imaturos para ele. Já estava em outro nível. E aquela menina tinha só 21 anos e ele 32. Não que a idade fosse problema, mas sua mente funcionava como se tivera quase 40, dado os relacionamentos que tivera antes. Quase sempre se relacionou com mulheres mais velhas que ele.

Voltemos a Mirna, sua boca alegre e a simpatia o encantaram. Em dado momento partiu com tudo. Tinha que ser naquela hora. Puxou-a para dançar e alguns minutos de troca de vistas tentou beijá-la. Ela quase resistiu, meio que embaraçada pela investida, mas ao mesmo tempo atraída por ele, beijou-o. Sem o deixar explorar toda, mais como algo entre um selinho e um beijo ardente.

Ele sempre fora de grandes paixões e investira muito em cada contato com as mulheres, as paparicava e as tratava como rainhas. Algumas vezes se dera mal com esse seu jeito. No entanto, Beto é um homem diferente de qualquer outro. Não é egoísta, é companheiro, gosta de ternuras e ao mesmo tempo se considera um tarado quando o assunto é sexo. Gosta muito da coisa, talvez por causa de sua vida sexual iniciada muito cedo.

Prefere tomar as rédeas da situação, que a mulher se doe ao máximo, pois tem certeza que tem equilíbrio suficiente para não desprezá-la ou parar com os mimos só porque já a conquistou. Para ele sua amada deve ser conquistada todos os dias, mas também é capaz de esfriar só porque a sua companhia o esnoba ou joga com seus sentimentos. Não gosta de sentir ameaças. Tem plena consciência que é um grande conquistador e por isso não se sente inseguro. Jamais traiu qualquer uma de suas namoradas, esse é outro ponto totalmente diferenciado de qualquer homem. Preza o que o outro sente e não quer ninguém magoado e triste principalmente por causa dele.

Mas, resgatando Mirna, ela foi sua parceira ideal por vários anos. Sua primeira noite foi estranha e pouco engraçada ou trágica, ele ainda não sabia ao certo. Passara o dia inteiro, um sábado, jogando futebol e fora se encontrar com ela. Lá pelas nove horas da noite, havia ficado na peleja por mais de sete horas seguidas. Era incansável. Um atleta. Pois, bem, foi sem nenhuma pretensão se encontrar com Mirna em sua casa. Era um dia chuvoso, aliás, chovia muito. Ela morava com a irmã e mãe, mas naquele dia em função do forte aguaceiro, estava sozinha e decidiu então doar-se. Em um dado momento começou a tirar a roupa em meio a uma penumbra. Ele adorou, fitou-a com desejo, mas não à primeira vista não gostou muito do que viu. Não a achou muito atraente, mas gostava muito dela. Ela despertava uma leve atração, o suficiente para aquele garanhão querer cobri-la. Como ainda estava sobre os efeitos alucinógenos proveniente do próprio organismo em função da enorme atividade esportiva, demorou muito a ter uma ereção. Somente lá pelas onze da noite conseguiu finalmente ter uma relação com ela. Não fora grandes coisas, não se conheciam muito e aquele comecinho o deixara muito tenso. Desde lá, criou uma espécie de bloqueio em relação aos primeiros encontros com mulheres. Era vigoroso na cama e tinha energia de sobra, mas a maioria das primeiras investidas passaram a ser duvidosas. Depois de um tempo, pouco tempo, diga-se de passagem, suas relações entravam no eixo e agradava em cheio a qualquer mulher que fosse. Ao longo de sua vida, despertou muitas paixões nas mulheres, arrebatadoras seria o mais certo. Suas mulheres nunca mais o esqueceriam.

Alguns anos depois, diante de uma relação tranqüila que o agradava em cheio, sem sobressaltos. Com poucas brigas entre os dois, afinal ele não era dado às discussões e tão pouco um ou outro davam margem as mesmas, se separaram porque o desejo se esvaiu. Não porque ele ou ela deixassem de gostar um do outro, mas porque ela passou a fugir de suas tentativas durante a noite ou madrugada. Ela como forma de sair da situação criara ou tentava fazer uma programação que os ocupasse todas as noites com encontros com amigos ou festas. Isso o deixou cada vez mais chateado. Tinha tesão por ela e queria mais contato com Mirna. Ela era do tipo caladona na cama, não pedia muito e não o ajudava a buscar tanto o seu prazer – erro maior da maioria das mulheres: esconderem suas fantasias e desejos e até posições preferidas. Mesmo assim ele tinha certeza que a fazia gozar. Talvez o ritmo que ainda permanecia nele não mais conseguia se manter nela, tanto é que ela vivia com sono enquanto ele sempre se sentia inteiro. Poucos diálogos a respeito foram efetuados até que em dado momento ele começou a sentir mais atraído por outras mulheres. Não tinha o que lhe cabia em casa. Como Beto é realmente um macho distante dos outros, fugiu da traição e deu-lhe um ultimato: “precisamos de mais tempo sozinhos!”. Ela disse que iria mudar, mas daqui a uma semana nada mudou. Então, ele saturado por meses de tentativas de alterar o panorama se coube a terminar o relacionamento que era de vários anos. Terminou num dia oito do mês corrente e já em 22 estava arrastando asas por outra, não por insensibilidade, mais por simples atração – que se apagara no romance anterior. Fora também o destino que o colocara agora diante daquela loira estonteante conhecida alguns meses atrás. Fora uma empatia, mas sem nada mais do que isso por causa de sua posição sempre fiel. Beto seria um bom exemplo?

Sunday, July 22, 2007

Comunique-se


Book - Richard Artschwager
Anteontem, 20 de junho foi publicado, o texto: “Olhos Verdes” no site Comunique-se, seção Literário.

Para acessar diretamente o texto* clique aqui

Ou então, veja-o aqui no próprio blog

É o sétimo texto do autor publicado no site.

* necessita de cadastro no site

Monday, July 16, 2007

Madrugada na cidade


Narragansett Bay from Jamestown (pair) - Charles Wilson Knapp - 1870
As gaivotas voavam em fila, com rasantes sobre o espelho d’água. Repentinamente, mudaram de curso. A formação agora estava em forma de “V”. Buscavam uma térmica para lhe diminuir o esforço e flutuar entre o mar e o céu. Passavam neste momento em frente à barca. Vistosas, com o peito alvo estufado para frente, pareciam estar orgulhosas pelo belo espetáculo que davam. Revoadas, acertos, mudanças, planadas, desvios, refluxos.

Os ventos lhes davam um ar de força. Vigorosas e leves. Vinham com as asas fortes, abertas, resistindo ao empuxo dos calafates. Depois, deslizavam pela brisa sem esforço como se aproveitando do momento.

Escorregavam pelo céu, felizes, soltavam pipiares de êxtase. Navegavam junto com as embarcações gostando do rastro dos peixes frescos. Avistavam mais longe, viam seu destino em deleite. Jovens aves, crianças,... queriam se divertir.

Alimentavam-se dos peixes e da agradável paisagem da baía. De um lado o Rio, o Pão-de-Açúcar e o Cristo Redentor, do outro a Fortaleza de Santa Cruz e as paradisíacas praias de Niterói.

Morros, mares, florestas, riachos, rochas se incluíam no lindo amanhecer da cidade.

Tuesday, July 10, 2007

Êxtase


The Unmade Bed - Robert Colquhoun
Teu belo corpo, me banho
Sereno, de amores e luxúria
No afã do ato me lanho
Em suas unhas em fúria

Nos seus pêlos pubianos
Inspiro-me de vontades
Penetro na sua castidade
Com meu mastro peniano

Entre cabelos molhados
De suor, vejo seus olhos
Brilhando e apertados

Êxtase, nossos refolhos
Entre as coxas me enfio
Em nada mais me desvio

Thursday, July 05, 2007

Tempo de poesia – com duplo “T”, de ternura e tesão


Heart Break Hotel - Raymond Leech
Há um poeta em mim que Deus me disse...

Há um poeta em mim que Deus me disse...
A Primavera esquece nos barrancos
As grinaldas que trouxe dos arrancos
Da sua efêmera e espectral ledice...

Pelo prado orvalhado a meninice
Faz soar a alegria os seus tamancos...
Pobre de anseios teu ficar nos bancos
Olhando a hora como quem sorrisse...

Florir do dia a capitéis de Luz...
Violinos do silêncio enternecidos...
Tédio onde o só ter tédio nos seduz...

Minha alma beija o quadro que pintou...
Sento-me ao pé dos séculos perdidos
E cismo o seu perfil de inércia e vôo...

Fernando Pessoa



Sonetilho do Falso Fernando Pessoa

Onde nasci, morri.
Onde morri, existo.
E das peles que visto
muitas há que não vi.

Sem mim como sem ti
posso durar. Desisto
de tudo quanto é misto
e que odiei ou senti.

Nem Fausto nem Mefisto,
à deusa que se ri
deste nosso oaristo,

eis-me a dizer: assisto
além, nenhum, aqui,
mas não sou eu, nem isto.

Carlos Drummond de Andrade


Confronto

Bateu Amor à porta da Loucura.
"Deixa-me entrar - pediu - sou teu irmão.
Só tu me limparás da lama escura
a que me conduziu minha paixão."

A Loucura desdenha recebê-lo,
sabendo quanto Amor vive de engano,
mas estarrece de surpresa ao vê-lo,
de humano que era, assim tão inumano.

E exclama: "Entra correndo, o pouso é teu.
Mais que ninguém mereces habitar
minha casa infernal, feita de breu,

enquanto me retiro, sem destino,
pois não sei de mais triste desatino
que este mal sem perdão, o mal de amar."

Carlos Drummond de Andrade


Soneto de Quarta-Feira de Cinzas

Por seres quem me foste, grave e pura
Em tão doce surpresa conquistada
Por seres uma branca criatura
De uma brancura de manhã raiada.

Por seres de uma rara formosura
Malgrado a vida dura e atormentada
Por seres mais que a simples aventura
E menos que a constante namorada

Porque te vi nascer de mim sozinha
Como a noturna flor desabrochada
A uma fala de amor, talvez perjura.

Por não te possuir, tendo-te minha
Por só quereres tudo e eu dar-te nada
Hei de lembrar-te sempre com ternura.

Vinicius de Moraes